O Mistério da Unguento Sagrado: A Profundidade de "Mashiach"
- Bruno Rafael Castor
- 24 de jan.
- 2 min de leitura

Para compreendermos o título Mashiach — no hebraico מָשִׁיחַ e no grego Χριστός (Christos) — precisamos ir além da simples tradução de "Messias". O termo deriva da raiz verbal מָשַׁח (mashach), que significa "ungir" ou "esfregar com óleo". No campo semântico da teologia hebraica, a unção não era um ato cosmético, mas um sacramento de transferência. O óleo, símbolo de alegria, abundância e do próprio Espírito de Deus (Ruach HaKodesh), ao ser derramado sobre alguém, marcava a transição dessa pessoa do uso comum para o uso exclusivo de Deus. O Mashiach é, portanto, o "Consagrado", aquele que possui a autoridade e a capacitação divina para uma missão específica.
No contexto histórico-cultural e judaico do Antigo Testamento, três figuras recebiam a unção: o Rei (garantindo a linhagem e o governo), o Sacerdote (mediando a santidade) e o Profeta (trazendo a revelação). Contudo, após o fim da monarquia e o exílio, a esperança de Israel cristalizou-se na figura de O Mashiach — um personagem futuro e definitivo que reuniria todas essas unções em si mesmo. Para o judaísmo do Segundo Templo, o Messias era o "Filho de Davi" esperado para restaurar o reino, purificar o culto e trazer a paz (Shalom) definitiva. Havia uma expectativa vibrante de que o Mashiach mudaria o curso da história, libertando o povo das opressões externas e internas.
A interpretação teológica cristã vê em Jesus o cumprimento exato e transcendente desse conceito. Jesus não foi ungido com óleo físico por mãos humanas para o Seu ministério, mas foi ungido pelo próprio Pai com o Espírito Santo no momento de Seu batismo no Jordão. Como Filho de Deus, Sua unção é inerente à Sua natureza; Ele não apenas recebe o Espírito, Ele é o portador do Espírito. A aplicação ao cristianismo revela que Jesus é o Mashiach porque Ele executa perfeitamente os três ofícios: Ele governa como Rei, intercede como Sumo Sacerdote e revela o Pai como o Profeta final. N’Ele, a unção que antes era fragmentada em homens falíveis torna-se plena e eterna.
A relação com Cristo como o Messias prometido é o ponto de convergência de toda a revelação bíblica. Jesus é o Mashiach que as profecias judaicas descreveram em nuances aparentemente contraditórias: o Rei vitorioso e o Servo sofredor. Ele cumpre a missão messiânica não através da força militar, mas através do sacrifício e da ressurreição. Ao confessarmos que "Jesus é o Cristo (Mashiach)", estamos declarando que o Deus de Israel cumpriu Sua promessa de não nos deixar órfãos, enviando Seu Filho Ungido para nos ungir também com a Sua vida. No cristianismo, o Messias é Aquele que, sendo o Ungido do Pai, torna-nos participantes da Sua própria natureza e missão.
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