O Escândalo da Graça: Jesus como "Amigo de Pecadores"
- Bruno Rafael Castor
- 28 de jan.
- 2 min de leitura

No grego, a expressão é τελωνῶν φίλος καὶ ἁμαρτωλῶν (telōnōn philos kai hamartōlōn) — "amigo de publicanos e pecadores". Diferente dos títulos que Jesus deu a Si mesmo, este foi um apelido dado por Seus críticos, os fariseus. No campo semântico hebraico e judaico, ser "amigo" (Re'a) de alguém implicava comunhão de mesa e associação de caráter. Para a elite religiosa da época, um homem santo jamais deveria se misturar com aqueles que estavam ritualmente impuros ou moralmente comprometidos.
No contexto histórico-cultural, a mesa era o lugar da aliança. Comer com alguém significava aceitação plena. Ao aceitar convites para banquetes em casas de cobradores de impostos (vistos como traidores da nação), Jesus estava quebrando barreiras sociais e religiosas profundas. A interpretação teológica cristã transforma este "insulto" em uma das maiores glórias do Messias: Ele é o Deus que busca o que se havia perdido. Como Filho de Deus, Sua santidade não é frágil a ponto de ser contaminada pelo pecador; pelo contrário, Sua santidade é contagiosa e purifica aquele que d'Ele se aproxima.
A aplicação ao cristianismo é o coração do Evangelho: Jesus não é um juiz distante que espera que nos tornemos limpos para nos receber, mas o Amigo que vem ao nosso encontro enquanto ainda estamos "sujos". A relação com Cristo como o Messias prometido aqui se revela na profecia de que Ele viria para "curar os quebrantados de coração". Como Filho de Deus, Ele demonstra que o caráter do Pai não é de exclusão, mas de resgate. Jesus, o Amigo de Pecadores, prova que Sua missão não era apenas governar sobre os homens, mas amá-los de tal forma que Sua proximidade transforma o pecado em perdão e a marginalização em pertencimento à família de Deus.
Referências Bibliográficas
1.Bíblia Sagrada. Evangelho segundo Mateus 11:19 e Evangelho segundo Lucas 7:34.
2.Strong, J. (2001). The New Strong's Expanded Exhaustive Concordance of the Bible. Thomas Nelson. (Referência ao termo Re'a e Philos).
3.Neyrey, J. H. (1991). The Social World of Luke-Acts: Models for Interpretation. Hendrickson Publishers. (Sobre a sociologia da comunhão de mesa).
4.Wright, N. T. (1996). Jesus and the Victory of God. Fortress Press. (Discussão sobre o desafio de Jesus às normas de pureza).
5.Chilton, B. (1994). A Feast of Meanings: Eucharistic Theologies from Jesus through Johannine Circles. Brill. (Sobre a origem aramaica e o significado de "amigo").
6.Blomberg, C. L. (2005). Contagious Holiness: Jesus' Meals with Sinners. InterVarsity Press. (Sobre a santidade contagiosa de Jesus).
7.Keller, T. (2011). The Prodigal God: Recovering the Heart of the Christian Faith. Hodder & Stoughton. (Sobre a graça escandalosa e o acolhimento aos pecadores).
Referências de Passagens Bíblicas Relacionadas ao tema.
•Mateus 11:19 (Amigo de publicanos e pecadores)
•Lucas 7:34 (Amigo de publicanos e pecadores)
•Mateus 9:10-13 (Jesus à mesa com pecadores / O médico e os doentes)
•Marcos 2:15-17 (Jesus à mesa com pecadores)
•Lucas 5:29-32 (Banquete na casa de Levi)
•Lucas 15:1-2 (Jesus recebe pecadores e come com eles)
•Lucas 19:1-10 (Jesus e Zaqueu / Buscar e salvar o perdido)
•Mateus 8:2-3 (Jesus toca e purifica o leproso)
•Marcos 5:25-34 (A mulher com o fluxo de sangue)
•Lucas 7:36-50 (A mulher pecadora que unge os pés de Jesus)
•Isaías 61:1 (Profecia: Curar os quebrantados de coração)
•Lucas 4:18-21 (Jesus cumpre a profecia de Isaías)
•João 3:17 (Deus enviou o Filho para salvar o mundo)
•Lucas 15:11-32 (Parábola do Filho Pródigo)
•Ezequiel 34:16 (A promessa de buscar a ovelha perdida)
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